Dor lombar após os 40 anos: entenda as causas e como a fisioterapia pode ajudar

Dor lombar após os 40 anos: entenda as causas e como a fisioterapia pode ajudar

Você já percebeu que, depois dos 40 anos, aquela dor na lombar começou a aparecer com mais frequência?

Ela pode surgir ao levantar da cama, depois de passar muito tempo sentada, ao carregar as compras do mercado ou até sem um motivo aparente.

Se isso acontece com você, saiba que não está sozinha.

No consultório, escuto frequentemente frases como:

“Minha lombar está fraca.”

“Acho que minha idade chegou…”

“Doutora, atacou o ciático de novo.”

Essas queixas são muito comuns e, na maioria das vezes, vêm acompanhadas de uma preocupação: “Será que vou ter que conviver com essa dor para sempre?”

A boa notícia é que não.

Embora algumas mudanças naturais do organismo aconteçam com o passar dos anos, sentir dor constante não deve ser considerado uma consequência inevitável do envelhecimento. Na maioria dos casos, a fisioterapia, associada à prática de exercícios e à adoção de hábitos saudáveis, pode aliviar a dor, recuperar a força e melhorar significativamente a qualidade de vida.

O que é a dor lombar?

A região lombar corresponde à parte inferior da coluna, localizada entre as últimas costelas e a pelve.

Ela sustenta boa parte do peso do corpo e participa de praticamente todos os movimentos do dia a dia: caminhar, sentar, levantar, abaixar, carregar objetos e até permanecer em pé por muito tempo.

Por isso, quando músculos, ligamentos, articulações, discos intervertebrais ou nervos sofrem sobrecarga, a dor pode aparecer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor lombar é atualmente a principal causa de incapacidade no mundo.

Por que a dor aparece com mais frequência depois dos 40 anos?

Não existe apenas um motivo. Normalmente, vários fatores acontecem ao mesmo tempo.

Perda de força muscular

A partir dos 30 anos começamos a perder massa muscular de forma gradual, processo que tende a acelerar com o envelhecimento.

Essa redução diminui a capacidade dos músculos estabilizarem a coluna.

No consultório, muitas mulheres dizem exatamente isso: “Sinto que minha lombar está fraca.”

Na realidade, essa sensação costuma estar relacionada à diminuição da força dos músculos que dão sustentação à coluna, ao abdômen e aos quadris.

Quanto menos esses músculos trabalham, maior pode ser a sobrecarga nas estruturas da coluna.

Esse processo também está relacionado à sarcopenia, assunto que abordamos em outro artigo aqui do blog.

Alterações hormonais

Nas mulheres, a perimenopausa e a menopausa reduzem os níveis de estrogênio.

Esse hormônio influencia músculos, ossos, ligamentos e discos intervertebrais.

Com sua diminuição, podem surgir:

  • redução da massa muscular;
  • maior rigidez articular;
  • pior recuperação dos tecidos;
  • aumento da sensibilidade à dor.

Não é por acaso que muitas mulheres percebem um aumento das dores justamente nessa fase da vida.

Sedentarismo

Outro fator muito frequente é o sedentarismo.

Quem passa muitas horas sentada ou deixou de praticar atividade física acaba perdendo força muscular progressivamente.

Isso cria um ciclo bastante comum.

A dor faz a pessoa evitar movimentos.

Ao evitar movimentos, ela perde ainda mais força.

Com menos força, a coluna trabalha mais e a dor tende a voltar.

Um dos objetivos da fisioterapia é justamente interromper esse ciclo de maneira segura.

Ganho de peso

O aumento do peso corporal também aumenta a sobrecarga sobre a coluna lombar, principalmente quando está associado à redução da força muscular.

Alterações naturais da coluna

Com o passar dos anos, os discos intervertebrais perdem parte da hidratação e da elasticidade.

Essas alterações fazem parte do envelhecimento e nem sempre provocam sintomas.

Muitas pessoas apresentam pequenas alterações na ressonância magnética e nunca sentiram dor.

Por isso, o exame sozinho não explica tudo.

A dor realmente é do nervo ciático?

Essa talvez seja uma das dúvidas que mais escuto durante as consultas.

É muito comum a paciente dizer:

“Atacou o ciático.”

Mas nem toda dor que começa na lombar e desce para a perna significa que existe um problema no nervo ciático.

O nervo ciático é o maior nervo do corpo humano e, quando está comprimido ou irritado, pode causar dor, formigamento, queimação e até perda de força na perna.

Entretanto, músculos tensos, alterações nas articulações da coluna, problemas na região dos glúteos e outras estruturas também podem provocar sintomas parecidos.

Por isso, uma avaliação detalhada é fundamental para identificar a verdadeira origem da dor e indicar o tratamento mais adequado.

Dor lombar significa hérnia de disco?

Não necessariamente.

Esse é um dos maiores mitos sobre a coluna.

Hoje sabemos, por meio de diversos estudos científicos, que muitas pessoas apresentam hérnias de disco ou desgastes nos exames de imagem e nunca sentiram dor.

Da mesma forma, algumas pessoas apresentam muita dor e exames praticamente normais.

Por isso, o tratamento deve ser direcionado à pessoa e aos seus sintomas, e não apenas ao resultado de uma ressonância magnética.

Como a fisioterapia pode ajudar?

A fisioterapia moderna vai muito além de aparelhos e massagens.

O primeiro passo é uma avaliação completa para entender quais fatores estão contribuindo para aquela dor.

Após essa avaliação, podem ser indicados:

  • exercícios terapêuticos individualizados;
  • fortalecimento dos músculos do abdômen, quadris e coluna;
  • terapia manual, quando indicada;
  • mobilizações articulares;
  • treinamento de equilíbrio e coordenação;
  • orientações para as atividades do dia a dia;
  • educação sobre dor e movimento.

O objetivo não é apenas aliviar a dor, mas devolver confiança para que a pessoa volte a se movimentar sem medo.

Quando procurar ajuda?

Vale a pena procurar um fisioterapeuta quando a dor:

  • dura mais de algumas semanas;
  • limita suas atividades;
  • aparece repetidamente;
  • piora progressivamente;
  • impede um sono de qualidade.

Em algumas situações, como perda importante de força nas pernas, alterações urinárias ou intestinais, febre associada à dor ou dor após um trauma importante, também é necessário procurar avaliação médica imediatamente.

Conclusão

Se você tem mais de 40 anos e sente que sua lombar “está fraca” ou acredita que “o ciático vive atacando”, saiba que você não precisa aceitar isso como parte natural do envelhecimento.

Na maioria das vezes, existe uma combinação de fatores por trás da dor, como perda de força muscular, alterações hormonais, sedentarismo e hábitos do dia a dia.

Com uma avaliação individualizada e um programa de tratamento adequado, é possível reduzir a dor, recuperar a força e voltar a realizar suas atividades com mais segurança e qualidade de vida.

Afinal, envelhecer faz parte da vida. Conviver com dor, nem sempre.

Referências bibliográficas

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  • North American Spine Society. Clinical Guidelines for Diagnosis and Treatment of Low Back Pain.
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